sexta-feira, 10 de junho de 2016

FRUTA, VEGETAIS E FIBRA NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA PODERÃO DIMINUIR RISCO DE CANCRO DA MAMA EM IDADE ADULTA


                Fruta, vegetais e fibra na infância e adolescência poderão diminuir risco de cancro da mama em idade adulta
cancro da mama é o segundo cancro mais comum no mundo e, de longe, o mais frequente entre as mulheres, com cerca de1,67 milhões de casos diagnosticados em2012 (25% de todos os cancros). As taxas de incidência variam entre as diferentes regiões do mundo, com taxas que vão desde27 casos em 100000 em África e na Ásia até 92 casos em 100000 nos EUA.
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O cancro da mama é a 5ª causa de mortede cancro no mundo, representa a 2ª causa de morte de cancro nas regiões mais desenvolvidas (15,4%), logo a seguir ao cancro do pulmão. Em pouco menos de metade dos casos, a doença é fatal, sendo a primeira causa de morte de cancro nas mulheres, perfazendo 14% de todos os casos de morte por cancro em todo o mundo.
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Alguns dos fatores de risco conhecidos para o cancro da mama estão relacionados com o estilo de vida, nomeadamente o álcool, o peso corporal, a atividade física e a amamentação. Muitos dos estudos que existem disponíveis e que procuram identificar fatores de risco relacionados com alimentação são contraditórios. Isso deve-se provavelmente em parte pelo facto de participarem quase sempre mulheres adultas nesses estudos.
Pouco ainda se sabe sobre os efeitos de uma exposição precoce no risco de cancro da mama. No entanto, alguns estudos têm sido publicados recentemente que nos podem ajudar a conhecer melhor essas associações. O próprio painel científico responsável pelo relatório “Food, Nutrition, Physical Activity and the Prevention of Cancer” diz estar impressionado pelas evidências que mostram a importância dos acontecimentos do início de vida, incluindo a dieta assim como fatores que afetam o estatuto hormonal, na modificação do risco de cancro da mama.
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Recentemente um estudo sugere que as adolescentes que comem mais frutapoderão ter um risco inferior de cancro da mama em idade adulta (Farvid et al., 2016). O estudo incluiu perto de 90000 enfermeiras seguidas ao longo de 22 anos. De acordo com os resultados, aquelas que comeram 3 peças de fruta por dia tiveram um risco 25% inferior de cancro da mama décadas depois, quando comparado com adolescentes que comeram meia peça de fruta ou menos.
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Quando os investigadores analisaram as frutas individualmente observaram que um consumo superior de maçã, banana e uvas estavam de forma significativa associado a um risco inferior de cancro da mama. Não se observou nenhuma associação entre sumo de fruta e o risco de cancro.
Os autores consideram que a fruta poderá proteger contra o cancro pelo facto deserem ricos em carotenóides, vitamina C, flavonóides, fibra, magnésio e potássio. Todos estes componentes poderão interferir com mecanismos biológicos do cancroimpedindo que se desenvolva.
O que já se sabia antes do estudo:
  • O consumo de frutos e vegetais poderá ser protetor contra o cancro da mama, mas as evidências são contraditórias;
  • A maior parte dos estudos baseiam-se em consumos na meia-idade e posterior, o que poderá ser após o período em que o tecido mamário é mais vulnerável a influências externas.
O que este estudo acrescenta:
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  • O consumo de fruta durante a adolescência parece ser benéfico na prevenção do cancro da mama;
  • Um consumo elevado de frutos e vegetais ricos em alfa-caroteno durante o início da idade adulta está associado a um risco inferior;
  • Os frutos e vegetais com uma associação mais significativa a uma redução no risco de cancro da mama foram: maçã, laranja, uvas e couve kale.
Estudos anteriores nos quais se procurou identificar a relação entre o consumo de frutos e vegetais e o risco de cancro da mama obtiveram resultados contraditórios:
  • O estudo EPIC, que inclui cerca de 330000 mulheres de 10 países europeus, não encontrou nenhuma relação entre o consumo de frutos e vegetais e o risco de cancro da mama (Bradbury et al., 2014).
  • Uma análise que incluiu 993466 mulheres de 20 estudos de coorte, sugere o consumo de vegetais está associado a uma redução modesta no risco de cancro da mama sem recetores de estrogénio (Jung et al., 2013).
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As participantes desses estudos eram sempre mulheres adultas, o que pode explicar a ausência de uma associação clara. Estudos com mulheres que sobreviveram aos bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki e a tratamentos com radiação mostram que a exposição durante a infância e adolescência estão associados a um risco superior de cancro, uma vez que durante este período o tecido mamário poderá ser particularmente sensível a exposições cancerígenas. Por outro lado, o risco de cancro da mama por radiação é mais fraco em mulheres com mais de 30 anos no momento da exposição (Land et al., 2003,Wahner-Roedler et al., 2003).
A maior parte dos estudos epidemiológicos avaliam exposições durante a idade adulta, mas muito poucos examinam períodos mais precoces. As evidências mais recentes têm mostrado que as exposições durante os períodos mais precoces da vida, em conjunto com a composição genética, poderão ser importantes para o desenvolvimento de cancro em idade adulta (Potischman and Linet, 2013).
Outros estudos têm mostrado como certos alimentos têm maior impacto para o risco de cancro da mama quando são consumidos durante a infância e adolescência:
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  • Um estudo prospetivo que seguiu 90534 mulheres ao longo de 20 anos concluiu que o consumo de fibra na adolescência e em jovens adultos está associado a uma diminuição de 25% no risco de cancro da mama (Farvid et al., 2016). De acordo com o estudo, por cada 10 gr de fibra consumidos diariamente nesse período, existe uma diminuição de 13% no risco de cancro da mama. Um dos mecanismos que poderá explicar essa associação é o facto da fibra poder diminuir os níveis de estrogénio em circulação.

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  • Os efeitos protetores da soja relativamente ao risco de cancro da mama são mais significativos quando existe um consumo regular durante a infância e adolescência (Shuet al., 2001Korde et al., 2009Lee et al., 2009). Um estudo de caso-controlo que incluiu 73223 mulheres chinesas sugere que o consumo regular de soja na adolescência está associado a um risco 43% inferior de cancro da mama em idade adulta (Lee et al., 2009). Outro estudo de caso-controlo sugere que o consumo regular de soja na infância está associado a um risco 60% inferior de cancro da mama em idade adulta (Korde et al., 2009).
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  • Um estudo que inclui 29480 enfermeiras sugere que consumir 2 ou mais porções de frutos secos por semana na adolescência, está associado a uma diminuição de 25% no risco de Doença Benigna da Mama (DBM) (Su et al., 2010). Mulheres com DBM têm um risco superior de cancro da mama.
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  • Um estudo prospetivo que seguiu mais de 88000 mulheres na fase anterior à menopausa ao longo de 20 anos, concluiu que o consumo de carnes vermelhas na adolescência está associado a um aumento de 22% no risco de cancro da mama. Cada porção diária adicional de carne vermelha está associado a um aumento de 13% no risco de cancro da mama. Os autores do artigo referem que a exposição às carnes vermelhas e processadas entre a primeira menstruação e a primeira gravidez poderá ser mais importante no desenvolvimento do cancro da mama (Farvid et al., 2014). Além disso verificaram que o risco de cancro da mama era menor em mulheres que substituíram as carnes vermelhas por leguminosas durante a juventude, sugerindo que isso se deva ao facto destes alimentos serem ricos em fibra e fitoestrogénios, ambos fatores protetores em relação a este cancro. Os autores também referem um estudo no qual se verifica que substituir uma dieta rica em gordura e proteína animal por uma dieta rica em gordura e proteína vegetalpode diminuir os níveis de estrogénio em circulação em mais de 40%(Carruba et al., 2006).
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A pesquisa sobre o papel da dieta na adolescência e na pré-adolescência é muito promissora e representa uma mudança de paradigma na pesquisa sobre o cancro. Esta mudança tem o potencial de produzir conhecimento que permita criar estratégias de prevenção pela alimentação nesses períodos de vida, em vez de outros períodos mais tardios (Mahabir, 2013). O que alguma evidência tem sugerido é que quanto mais cedo se introduzirem padrões alimentares protetores, maior eficácia há na prevenção de cancros mais tarde na vida. Afinal, é de pequeno que se deve comer o pepino!
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