quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O bieiteiro, ou sabugueiro (reblogado)

 
 
 
 
Hoje imos falar duma flor ventureira que me encanta. Tem um significado especial para mim e, sempre que a vejo, tenho uma alegria, como se duma velha amiga se tratar.

 O Sambucus nigra, conhecido como bieiteiro ou também sabugueiro.
 

 
Aspecto.– Arbusto caducifólio, muito ramoso o que faz com  que tenha uma taça muito densa e arredondada, pode chegar aos 5 metros.  Os galhos quando são jovens são verdes, têm uma grande quantidade de medula esbranquiçada. As folhas são de cor verdosa e algo peludas,  têm a margem serrada.
 
Flores.- As flores são muito chamativas de uma cor branca intensa ou creme, são pequenas 4-5 milímetros de diâmetro mas colocadas em um grande número de inflorescências terminais com todas as flores à mesma altura (cimos corimbiformes), são muito olorosas. Floresce na primavera.
 
 
Fruto. – Globoso, carnudo, com uma cor preto intenso, tem de 3-5 sementes no seu interior. Os frutos amadurecem no final do verão.
 
 
Habitat e aplicações. – Quer solos frescos, sendo abundante ao lado de rios ou em ribeiras. Cultiva-se como ornamental polas suas lindas e aromáticas flores. Os frutos utilizam-se para fazer sobremesas. As flores secas  introduzem-se entre a roupa de cama para evitar ataques de insetos. Os frutos quando são verdes são tóxicos e quando estão maduros são comestíveis mas devem-se retirar as sementes que são tóxicas. Suas flores em cozimento são diuréticas. Para combater o monquilho dos cachorros (esgana) põe-se-lhes um colar de contas de bieiteiro, as contas devem ser 9 ou 11 para que surta efeito (este remédio é muito amplamente utilizado).
 
“O homem  utiliza as propriedades do bieiteiro desde a idade da pedra, e ainda hoje é uma planta muito frequente nas proximidades de zonas habitadas. Tanto as suas flores como os seus frutos são comestíveis e medicinais.

O bieiteiro como alimento


Os frutos e as flores de bieiteiro são comestíveis. Os primeiros podem-se preparar em sucos, marmeladas, geléias, molhos, sopas, etc. Devem de consumir-se sempre maduros, pois quando verdes são tóxicos. Também as sementes, ainda bem maduras, são indigestas, por isso convém não abusar do fruto em cru. Ao cozinhá-lo  torna-se inócuo.
 
 
Na obra de Manuel Durruti “Frutos silvestres comestíveis e venenosos” Ed. Everest amostra-se-nos a seguinte receita de sopa de bieiteiro.
 
Ingredientes: 800 gr. de frutos de bieiteiro, açúcar, 3 maçãs e farinha.
As bagas de bieiteiro cozem-se na menor água possível. Uma vez cozidas engrade-se água até obter o sabor desejado. Filtra-se, se engrade-se-lhe açúcar e ferve-se em fogo brando removendo.  Botam-se-lhe as maçãs em cubinhos. Deixa-se uns minutos até que a maçã esteja cozida. Retira-se do lume e bota-se-lhe a farinha, mexendo, até se obter a consistência desejada.
 
As flores de bieiteiro podem-se empanar. Na obra “Plantas medicinais, bagas e verduras silvestres de Grau/Jung/Münker ed. Blume temos a seguinte receita:
 
” Prepara-se uma massa de sonhos com farinha, ovos, manteiga quente, água, um pouco de mel e um beliscão de sal, fazendo com que não resulte muito espessa. Nela mergulham-se as inflorescências de bieiteiro colhendo-as pola caule, que não se terá cortado. A seguir fritam-se em azeite até que estejam douradas e servem-se quentes, acompanhadas de compota. Para a massa, tomam-se 3 ovos para 125 gr. de farinha. Os gourmets acrescentam à massa 2 ou 3 colheradas sopeiras de vinho.”

O bieiteiro como bebida

Com as bagas de bieiteiro podem-se preparar sucos simplesmente prensando os frutos com um pano limpo. Também se podem preparar licores. Manuel Durriti ensina-nos como fazer licor de bieiteiro.

Ingredientes: 1,5 Kg. de bagas de bieiteiro, ¾ de litro de canha ou conhaque ou outro licor, 750gr de açúcar, 4 cravos de especiaria, 1 pauzinho de canela.
Põem-se as bagas em uma garrafa de pescoço largo e cobrem-se com a canha, tampa-se e deixa-se repousar 6 semanas. Côa-se e prensam-se os frutos para obter todo o suco, ao qual se lhe engrade, numa panela, o açúcar, os cravos e a canela. Ferve-se em fogo brando durante 15 minutos. Enchem-se as garrafas e deixa-se repousar umas semanas antes de tomá-lo.
As flores de bieiteiro também se têm empregado para fazer licores e aromatizar vinhos.
 
 


O bieiteiro como medicinal
 
O bieiteiro é um dos melhores sudoríficos (estimula a transpiração) e depurativos (purifica o sangue contribuindo para eliminar os resíduos). Além disso também apresenta propriedades diuréticas (colabora no processo de depuração do sangue ao eliminar as toxinas) e anti-inflamatórias (reduz as inflamações).
Emprega-se habitualmente em forma de chá para tratar resfriados, gripes, esfriamentos, catarros e também se pode tomar como medida preventiva destas afeções.
Em forma de compressa emprega-se para tratar afeções da pele, como eczemas e outras dermatoses também há autores que a recomendam para aliviar as hemorroidas e para as queimaduras leves. Para a conjuntivites, além de empregar compressas também podemos realizar lavados de olhos com o chá das flores. Por último, há quem recomenda os cigarros feitos com folhas secas de bieiteiro para deixar de fumar.
 
 
As partes de utilidade medicinal do bieiteiro são as flores, os frutos, as folhas, e o segundo córtex, mesmo que na atualidade se acostumam empregar só as flores.
O chá de flores prepara-se com duas colherzinhas arrasadas de flores frescas ou secas em ¼ litro de água fervendo. Deixa-se repousar uns minutos e toma-se três vezes por dia.
O chá das folhas tem propriedades parecidas, mas seu cheiro não é muito agradável. Prepara-se de forma similar, com duas colherzinhas arrasadas de folhas.
As flores recolhem-se de maio a julho, estendem-se em um lugar abrigado para que se desprendam das caules e deixam-se secar. As folhas recolhem-se de jovens e secam-se ao ar.

Cultivo do bieiteiro


O bieiteiro cultivou-se em jardins durante muito tempo. Mesmo que o cheiro de suas folhas não é agradável, entre finais de primavera e princípios de verão cobre-se de bonitas flores brancas. Em um jardim natural oferece refúgio e alimento a muitas aves.
O bieiteiro é um arbusto ou árvore perene de até 10 m. De altura se se lhe deixa. Prefere zonas ensolaradas ou parcialmente sombreadas, solos frescos e com certa umidade.

 Outros usos e curiosidades
 
Como dissemos, o homem valeu-se do bieiteiro desde a idade da pedra, como alimento, medicina, em ritos religiosos e mágicos, como planta de jardim, para fabricar assobios valendo-se da sua madeira oca, etc.
As folhas queimadas empregaram-se como inseticida e o chá das folhas empregou-se como repulsivo de mosquitos e, borrifada sobre as plantas, para protegê-las de pulgões e eirugas.
A madeira de bieiteiro é frágil e leve, não é um bom combustível.

 Descrição e características


O bieiteiro é um arbusto ou árvore entre 2 e 10 metros de alto. Suas folhas são dentadas e desprendem um cheiro pouco agradável. As flores dispõem-se em falsa umbela com 5 pétalas, 5 sépalas e 5 estames com anteras amarelas. As bagas são verdes primeiro e pretas quando amadurecem. O talo é oco e frágil, com uma medula branca.”
Pois, até aqui, o que dizem os peritos sobre este arbusto de alto porte que é o bieiteiro.
Eu podo vos dizer que é uma planta que adoro. Na casa de minha mãe, houve um bieiteiro muito tempo que dava sombra no verão para nos sentar em baixo a parolar, mas, como por este tempo, deixava cair suas bagas avinhadas, minha mãe decidiu que era mui porco e que lixava muito e cortou-mo. Cada vez que vou à sua casa, ainda o lembro. Agora tenho um na beira do “meu rio” e vários que vejo desde a janela. Pelo São João, na minha vila, é tradição espetar gavinhas de bieiteiro nos buracos das paredes, para proteger as casas dos maus olhos.
Também era muito utilizado pelos rapazes do meu tempo, que não tínhamos muitos brinquedos, para fazermos zarabatanas vaziando o miolo das gavinhas pequenas e metendo na ponta os frutos verdes, soprávamos com força e assim dávamos-lhe num olho ou onde quadrasse aos que passavam por diante.
 
 
Hans Christian Andersen, do que já falamos aqui há tempo, escreveu um conto sobre o bieiteiro do que gosto muito.
Intitula-se “Mãe bieiteiro”, ainda que por causa da ditadura tenha aparecido pela primeira vez em espanhol como “Madre Saúco”.

É uma preciosa história que fala das lembranças…



 
Oscar Klever é o ilustrador.
 
Fonte

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